Nos últimos anos, muitos motéis passaram a “modernizar” sua operação adotando soluções completas oferecidas por plataformas do mercado:
app com a marca do motel, site institucional, motor de reservas e até atendimento automatizado.
À primeira vista, parece o cenário ideal.
Na prática, pode ser o maior risco estratégico do negócio.
Neste artigo, você vai entender por que centralizar tudo em um único fornecedor — especialmente um marketplace — transforma o motel em refém operacional, mesmo quando a marca exibida é a sua.
O novo discurso: “é tudo do motel, só foi feito por fora”
O argumento costuma ser este:
- app com a marca do motel
- site do motel
- motor de reservas integrado
- atendimento automatizado do motel
Tudo aparentemente “próprio”.
Mas existe uma pergunta que quase nunca é feita:
Quem controla cada etapa desse ecossistema?
O que realmente está acontecendo
Quando app, site, motor de reservas e atendimento são fornecidos pela mesma plataforma — como o Guia de Motéis — o fluxo real é este:
Cliente
↓
Site / App (feito pela plataforma)
↓
Motor de reservas (da plataforma)
↓
Atendimento automatizado (da plataforma)
↓
Reserva
↓
Motel executa a hospedagem
Apesar da marca exibida ser do motel, o controle não é.
O erro central: confundir marca com propriedade
Ter:
- domínio configurado
- logotipo aplicado
- identidade visual personalizada
❌ não significa ser dono da operação digital.
O que define propriedade de verdade é:
- quem controla o código
- quem controla os dados
- quem controla a base de clientes
- quem decide regras, integrações e limites
Na maioria desses modelos:
o motel usa a estrutura, mas não manda nela.
Quando o atendimento também não é do motel
Aqui o risco aumenta ainda mais.
Quando o atendimento automatizado (como a assistente Alzira, do próprio ecossistema do Guia) é usado no lugar de um atendimento controlado pelo motel, acontece o seguinte:
- o tom da conversa não é do motel
- a lógica de priorização não é do motel
- o funil de decisão não é do motel
- os dados da conversa não são plenamente do motel
O motel perde:
- controle de discurso
- flexibilidade comercial
- visão completa do cliente
👉 O atendimento deixa de ser extensão do motel e passa a ser extensão da plataforma.
O risco da dependência total (o mais perigoso)
Quando tudo está no mesmo lugar:
- site
- app
- motor
- atendimento
O motel cria uma dependência estrutural.
Se amanhã:
- as regras mudarem
- taxas surgirem
- condições forem revistas
- exclusividades forem exigidas
O motel não troca de fornecedor com facilidade.
Trocar significaria:
- refazer site
- migrar dados (se for possível)
- perder histórico
- reeducar clientes
- reconstruir funil
👉 O custo de saída vira uma trava.
O motel vira operador, não dono do canal
Nesse modelo, o papel do motel é reduzido a:
- disponibilizar suítes
- cumprir a hospedagem
- aceitar as regras
Enquanto isso, a plataforma:
- controla a jornada
- controla o relacionamento
- controla a recorrência
Mesmo sem comissão explícita no início, o motel já perdeu o ativo mais importante:
independência comercial.
Quando esse modelo até pode fazer sentido
É importante ser justo.
Esse modelo pode funcionar:
- para motéis iniciantes
- como fase temporária
- como estrutura de entrada no digital
❌ O erro é transformar isso em modelo definitivo, especialmente para motel de médio ou alto padrão.
O modelo saudável para um motel com Gestão profissional
O fluxo correto é:
Cliente
↓
Site ou app do motel (controle total)
↓
Motor de reservas próprio
↓
Atendimento próprio (humano ou IA treinada pelo motel)
↓
Reserva direta
↓
Base própria + recorrência
E, de forma complementar:
Marketplace
↓
Cliente novo
↓
Remarketing com Canal próprio do motel
Aqui o marketplace entra como mídia, não como dono do funil.
As 3 perguntas que resolvem tudo
Todo dono de motel deveria responder:
- Se eu sair da plataforma, meu site, motor e atendimento continuam funcionando normalmente?
- Consigo exportar todos os dados de clientes e conversas sem restrição?
- Consigo mudar regras comerciais sem pedir autorização?
Se alguma resposta for não, o motel não tem controle.
Conclusão
Centralizar app, site, motor de reservas e atendimento em uma única plataforma externa não é estratégia, é comodidade disfarçada.
No curto prazo:
- parece mais simples
- parece mais barato
- parece mais moderno
No médio prazo:
- reduz margem
- cria dependência
- limita crescimento
- enfraquece a marca
No fim, a pergunta não é:
“Quem fez meu site ou meu app?”
A pergunta correta é:
Quem manda no meu negócio digital?
